FILÓSOFOS NATURALISTA
Os primeiros filósofos, os jónios, foram conhecidos como naturalistas, dado que a sua preocupação não estava voltada para a interioridade do próprio Homem, mas pela diversidade do mundo exterior, a natureza, a qual constatavam mudanças constantes: há frio e há calor; há dia e há noite; há eclipses; há água; há gelo e há vapor; há vida e há morte.Perante estas e outras constatações interrogam-se: O que é tudo isto? O que é a natureza? Qual é o princípio explicativo de todas as coisas? O que é que está por detrás da diversidade? O que é que permanece na mudança?
Conscientes de que os mitos, a religião e os poemas de Homero e Hesíodo eram incapazes de dar explicações exaustivas que pudessem responder àquelas questões, os filósofos, os jónios, procuraram as
respostas das suas interrogações baseando-se no pensamento racional, fundamento do pensamento filosófico, até então incipiente.
Portanto, a contemplação e observação da Natureza, isto é, dos enómenos naturais, suscitou nos primeiros filósofos gregos (Tales, Anaximandro e Anaxímenes), duas grandes interrogaçoes sobre as quais
assentam as suas doutrinas naturalistas, a saber:
Os primeiros filósofos, os jónios, foram conhecidos como naturalistas,
dado que a sua preocupação não estava voltada para a interioridade do
próprio Homem, mas pela diversidade do mundo exterior, a natureza, a
qual constatavam mudanças constantes: há frio e há calor; há dia e há
noite; há eclipses; há água; há gelo e há vapor; há vida e há morte.
Perante estas e outras constatações interrogam-se: O que é tudo isto? O
que é a natureza? Qual é o princípio explicativo de todas as coisas? O
que é que está por detrás da diversidade? O que é que permanece na
mudança?
Conscientes de que os mitos, a religião e os poemas de Homero e
Hesíodo eram incapazes de dar explicações exaustivas que pudessem
responder àquelas questões, os filósofos, os jónios, procuraram as
respostas das suas interrogações baseando-se no pensamento racional,
fundamento do pensamento filosófico, até então incipiente.
Portanto, a contemplação e observação da Natureza, isto é, dos
fenómenos naturais, suscitou nos primeiros filósofos gregos (Tales,
Anaximandro e Anaxímenes), duas grandes interrogaçoes sobre as quais
assentam as suas doutrinas naturalistas, a saber:
Qual é o elemento primordial, princícpio explicativo de todas as
coisa, (arché)? De que são feitas todas as coisas?
Como explicar as mudanças, os movimentos e as transformações que
os seres naturais sofrem?
Os dois problemas estão intimamente ligados e, divergem nas respostas e
no modo de os entender, a filosifa antiga procurou o princípio (único ou
múltiplo) originário, comum a todas as coisas, que subjaz à sua enorme
diversidade e que explique o devir ou as transformações que a
experiência revela.
Os modelos explicativos da origem da natureza
Tales de Mileto (a.C. 624-546 a. C.)
Considerado como um dos Sete Sábios gregos; conhecedor da cultura oriental por contactos directos efectuados em numerosas viagens, Tales foi matemático, astrónomo e político. Como astrónomo, ele previu a ocorrência de um eclipse total do sol, que veio a acontecer em 585 a. C. e narra-se que ele morreu ao cair numa cisterna enquanto observava os
astros, em 546 a. C.
Tales foi o primeiro pensador que, de forma sistemática e rigorosa, se interrogou sobre a causa última, princípio de todas as coisas. Devido à ua elevada formação intelectual, Tales não procura a resposta da questão por si colocada nas intervenções dos seres estranhos (deuses e outras divindades míticas do seu tempo) como era habitual entre os gregos. Mas vê-se impelido a procurar, antes, na própria natureza, as causas das transformações.
Para Tales, a água (elemento húmido) é o princípio (arkhé) de todas as coisas. Pois da água, por processo de condensação deriva a terra e por evaporação, deriva o ar e o fogo.
Não podemos saber o que Tales pretendia, ao certo, dizer com essa resposta. Queria dizer que todas as coisas são ou se compõem de água?
Que a terra flutua sobre a água? Que a água entra na constituição de todos
os seres? Que a água é indispensável à vida? Talvez tudo isto.
Tales diz-nos que a água é o princípio que origina os corpos húmidos.
Quanto à explicação das mudanças Tales adoptou um modelo vitalista segundo o qual, as coisas mudam porque todas se compõem de água e esta é “matéria viva” e o que é vivo tende, por si mesmo, a mover-se e a mudar.
Tales, um modelo vitalista à explicação da mudança ou transformação que os seres naturais sofrem, segundo qual, as coisas mudam porque todas se compõem de água e esta é “matéria viva” e o que é vivo tende por si mesmo a mover-se e a mudar.
Anaximandro de Mileto (a. C 610 – 545 a. C)
Matemático, astrónomo e filósofo. Como Tales, Anaximandro interroga-se sobre o princípio e origem, causa e substrato de todas as coisas.
Desviando-se da linha do pensamento do seu mestre, Tales, argumenta dizendo que de um elemento tão concreto e já determinado como a água não podem derivar outros elementos tão concretos como o ar, a terra e o fogo e as outras substâncias físicas.
Para Anaximandro, o arkhé - o princípio – é um elemento não determinado que não é nem se confunde com nenhuma das substâncias já determinadas, mas contém em si todas as possibilidades de determinação das outras coisas ou entes, porque é infinito, indelimitado, indeterminado; um elemento imortal, indestrutível e atemporal: é o apeiron, que quer dizer indeterminado, indefinido, infinito.A mudança ou a transformação dos seres ocorre porque no seio da ápeiron há tendências que se opõem contínua e eternamente entre si, o que leva à luta dos contrários. Como se pode deprender, o seco se opõe ao húmido, o quente se opõe ao frio. Asim, o domínio de uma destas tendências dá lugar às coisas que observamos. Mas este triunfo, considera Anaximandro, é uma injustiça que é reparada, ao longo do tempo, pelo triunfo da tendência oposta. Deste modo, o calor triunfa injustamente no verão e essa injustiça é reparada com o triunfo do frio, uma tendência contrária, no inverno.
Anaximenes de Mileto (c. 582 – 528 a. C)
Anaximenes, ao contrário de Anaximandro, pensou poder identificar o princípio primordial entre a matéria da experiência e defendeu que o ar era a substância universal, substância comum a tudo.
A sua ideia básica consistia em que o ar se torna mais duro e pesado quanto maior for a quantidade que se encontra num mesmo espaço.
Quando o ar se dilata ou rarefaz, aquece e converte-se em fogo. Quando o ar se contrai ou condensa, converte-se, por ordem de condensação crescente, em nuvem, em chuva, em água, em céu, em terra, e finalmente em pedra. Todas estas coisas têm como fundamento ou substracto um mesmo elemento, o ar e a s suas diferenças qualitativas (de peso, dureza, extura, etc.) devem-se à diferente quantidade de ar por volume que encerram, as diferentes densidades do ar que as constitui, isto é, de que são feitas.
Os pormenores avançados por Anaximenes não são correctos. Mas isso não deve fazer esquecer a grande ideia nelas contidas, a de que as diferenças qualitativas, isto é, as diferentes propriedades que apreendemos pelos sentidos, se explicam por diferenças quantitativas, uma ideia que é um suporte básico de toda a ciência moderna. Por isso, o que mais importa assinalar sobre o pensamento dos primeiros filósofos gregos não é o valor ou mérito das suas respostas, hoje desactualizadas pelas informações científicas, mas sim o espírito de investigação racional, metódica, directa, investigação essa que visa dar uma resposta às perguntas suscitadas pela natureza recorrendo a própria natureza.



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