OBJETIVO, MÉTODO E FUNÇÃO DA FILOSOFIA
Objecto de estudo da Filosofia
No dizer dos filósofos, a Filosofia estuda todas as coisas, isto é, universo tomado na sua totalidade e é o fundamento de qualquer conhecimento.
Ela estuda o valor do conhecimento, quer como pesquisa sobre o fim do Homem, quer como estudo da linguagem, do ser, da história, da arte, da cultura, da política, da ética, etc. Representa o esforço da razão teórica em conhecer o real (o ser), e a razão prática em transformá-lo.
Portanto, filosofia engloba todas as coisas como seu objecto de estudo ( o Homem, os animais, o mundo, o universo, a arte, a religião, Deus, etc.,
objectos esses que constituem temáticas de estudo das outras ciências particulares), num sentido mais profundo, radical e crítico.
Da afirmação segundo a qual a filosofia estuda todas as coisas, se infere que ela não tem objecto no mesmo sentido em que as outras ciências têm um objecto específico, isto é, um objecto determinado. Contudo, pode-se dizer que a Filosofia estuda todas as coisas, por duas razões:
Todas as coisas podem ser examinadas ao nível científico e ao filosófico, por isso, o Homem, os animais, o mundo, o universo, a arte, a religião, Deus, estudados em outras ciências particulares, também são objectos de estudo da filosofia;
Vamos falar agora do método da filosofia, para logo de seguida
fazermos o resumo desta lição.
O método - A filosofia tem como métodos: a reflexão (análise crítica) e a
justificção lógico-racional.
Convém notar que literalmente, a palavra reflexão, significa voltar a pensar o que já se pensou, o que já se viu. A expressão portuguesa que melhor traduz a palavra reflectir pode ser esta: “cair na conta de”, ou “tomar consciência de”. E só cai na conta de ou tomar consciência de, quem já esteve em contacto com tal coisa, num momento anterior.
Toda a filosofia aspira a uma coerência que torna inteligíveis e admissíveis as ideias e as intuições dos filósofos, quer dizer, ela é sempre acompanhada por um esforço no sentido de estruturar racionalmente o pensamento, de um esforço que lhe garante um estatuto racional. Por isso, a filosofia é pela racionalidade.
As funções da filosofia
As funções da filosofia resumem-se essencialmente em dois planos: teórico e prático. Porém, a separação entre os dois planos é muito fraca.
Contudo, tais funções são extraídas a partir da própria natureza da filosofia e cada época histórica dá um especial enfoque a alguma das suas funções de acordo com a perspectiva mais ou menos dominante em que o espírito da época enquadra a filosofia.
Ora vejamos o que diferencia essas funções!
Função teórica da filosofia
Como uma forma de saber e de existência humana, a filosofia tem a função de iluminar o nosso intelecto em busca da verdade.
A filosofia amplia as nossas concepções acerca daquilo que é possível, como também, ela enaltece a imaginação intelectual do Homem, fazendo com que este diminua a arrogância dogmática que cerra à especulação racional.
A função teórica da filosofia ajuda o Homem analisar o mundo e a reflectir sobre todas as coisas.
Função Prática da filosofia
Não é, a abstracção, o único campo reservado para a Filosofia?
Existe algum interesse prático no exercício do amor ao saber? Decerto que a filosofia identifica-se particularmente com a realidade abstracta, mas a sua finalidade pode ter um alcance prático, como o adestramento de toda a actividade humana e da própria condição existencial (realidade social, política, económica) do Homem. A filosofia conduz-nos a uma autonomia no agir e a um viver de forma autêntica.
RESUMINDO
A filosofia estuda todas as coisas (o Homem, os animais, o mundo o universo, a arte, a política, a religião etc). Por isso se afirma que nenhum campo do saber humano escapa à filosofia;
A reflexão, como pensamento crítico e criativo, constitui um dos métodos empregues em toda a actividade filosófica;
A filosofia usa, além da reflexão, a justificação logico-racional como método mediante o qual ela busca uma coerência discursiva.
Recurso à reflexão e à justificação lógico-racional como metódos leva à conclusão segundo qual, a filosofia não possui procedimentos metodológicos específicos protocolarmente estabelecidos e consensualmente aceites por todos os filósofos. Pois, o filósofo na sua actividade não exclui o recurso a outros procedeimentos metodológicos.
As funções da filosofia sintetizam-se no saber pensar correctamente (plano teórico) e no agir convenientemente (plano prático).

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