FILOSÓFICA E A DEMANDA DA VERDADE.




Demanda da verdade

O termo demanda significa procura, busca daquilo que certamente constitui necessidade para o Homem. E procuramos os bens e serviços que podem satisfazer as nossas necessidades em vários lugares, de acordo com a sua especificidade: na machamba, no mercado, na loja, na interacção com os outros. Quando sentimos a necessidade de filosofar, isto é, de conhecer profundamente a realidade, de descobrir a verdade, então onde e como é que poderemos encontrar satisfação?Segundo Karl Jaspers, Filosofar significa estar a caminho. Nisto, as questões são mais importantes do que as respostas, e cada resposta constitui mais um passo para novo questionamento. 

 ATITUD FILOSÓFICA

Eis então, as marcas que tornam o Homem comum, vulgar, num amante da sabedoria e da verdade: Espanto ou admiração, a dúvida ou inquietação, a indagação, o rigor.

Espanto face ao espectáculo do mundo: Admirar é o primeiro passo para conhecer.

A única forma de conhecer realmente o mundo e descobrir o sentido da existência, é começar, aos poucos, a compreender a subtileza das transformações, mudanças sucessivas e ininterruptas que acontecem tanto no pensamento quanto à nossa volta, a cada momento e instante. É este espectáculo das coisas que causa a admiração do amante da sofia (filósofo) que, ao contrário dos outros, não vê rotina, mas sim a dinâmica e move o seu interesse para o aprofundamento desta experiência existencial quotidiana.

Dúvida e Inquietude: A dúvida impulsiona a exploração do real, a fim de desvendar os enigmas da existência. 

O espanto no indivíduo rompe com a tendência “natural” de achar que a ordem das coisas no mundo à nossa volta é simplesmente óbvia, que “as coisas são como são porque tinham que ser assim mesmo”. Ora, o amante da sabedoria é um espírito inquieto, incapaz de aceitar simplesmente como óbvio o que as primeiras impressões dos sentidos lhe oferecem. Ou seja, mais do que poderia achar, ele põe em dúvida tudo quanto lhe parece ser, admitindo a possibilidade de a realidade e a verdade estarem por detrás de toda aparência imediata. Assim, o filósofo pensa mais no que a realidade poderia ser (para melhor) e acha menos que a ordem das coisas no mundo actual (a Sociedade) seja definitivamente a melhor que poderia existir, a mais justa e equilibrada. 

 Indagação: É preciso olhar criticamente a realidade para a conhecer e compreender

O espanto e a dúvida são apenas o esteio para a demanda da verdade. O passo mais fundamental que é marco distintivo de quem ama a sabedoria, é o questionamento. Questionar e questionar sempre, enfocando sobretudo o Porquê das coisas, é a essência da indagação filosófica. 

Sócrates celebrizou esta atitude nos seus diálogos, usando-a tanto na Maiêutica (técnica que faz com que os interlocutores descubram verdades que trazem neles sem o saberem) como na Ironia e Jaspers sublinha que é um estar a caminho, em busca do conhecimento, da ciência, da verdade, em contraposição à posse desses valores.

Rigor: O caminho da ciência e da verdade é feito com rigor e perseverançaPara o filósofo (e o aprendiz de filósofo), o termo rigor significa destreza no pensamento e no argumento. Cabe ao amante da sabedoria escolher diligentemente os conceitos ou ideias no seu pensamento; a forma mais coerente de formular os seus raciocínios e os termos (palavras) que melhor traduzem e clarificam, no argumento, a sua visão de sujeito. 

Portanto, o verdadeiro filósofo pauta pelo rigor no pensamento e na 

linguagem.

O que resulta da atitude Filosófica?

O exercício prático e sistemático de todos os passos que compreendem a atitude filosófica resulta no Saber filosófico, que se caracteriza do seguinte modo:

Espontaneidade (saber espontâneo)A espontaneidade do saber filosófico resulta da natural predisposição do sujeito de desvendar os enigmas do mundo à sua volta e a necessidade de aprofundar o seu conhecimento da realidade. 

Profundidade (saber profundo)O conhecimento filosófico é profundo, na medida em que resulta dum processo indagativo, em que as questões colocadas obedecem a uma sequência lógica e sistemática, partindo do imediato (superfície) e penetrando, a pouco e pouco, a realidade, indo ao encalço dos fundamentos das coisas que são porque são e que se pensam como se pensam.Autonomia da razão (saber reflexivo)

O conhecimento filosófico tem carácter reflexivo, pois o acto de pensar do sujeito volta-se sobre o próprio pensamento. Quer dizer, em outros termos, que a razão humana, como fonte de conhecimento, tem capacidade suficiente de ela mesma definir o que é certo e verdadeiro; o lícito e conveniente, além de que confere ao sujeito a consciência de si mesmo e das coisas. 

Portanto, o filósofo pensa como sujeito livre e autónomo e a razão funciona nele como filtro eficaz de todos os seus conhecimentos.


Todas estas características elencadas fazem do filósofo um homem autêntico. A autenticidade do filósofo reside no facto de ele ser, autónomo, integro, profundo, insatisfeito com a realidade, rigoroso e na admiração dos fenómenos.

RESUMINDO

 A dúvida e insatisfação pelas verdades imediatas, a indagação permanente e o rigor no pensamento e no agir,caracterizam a atitude filosófica.

 Pelo exercício regular da atitude chega-se ao saber filosófico que é espontâneo, profundo e reflexivo. A demanda da verdade exprime uma necessidade profunda do Homem conhecer a realidade e a filosofia é o seu campo de realização pela insastisfação.

 A atitude filosófica é o modo próprio de ser e de estar do Homem autêntico em oposição ao homem alienado; do homem desperto e livre, contrário do escravo e adormecido. 

 Homem autêntico está comprometido com o mundo em que vive e se propõe a transformá-lo pelo pensamento e pela acção.

 Todo Homem, independentemente do seu estatuto social, pode tornar-se num filósofo.